22 de jun de 2011

Pedro e a pedra – Uma parábola sobre a santidade



“Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!” Lucas 15,29-30

A atitude do irmão mais velho na parábola do “filho pródigo”, nos ajuda a pensar em uma séria questão. Qual a motivação de nossa obediência a Deus? Quando buscamos a santidade, fazemos por culpa ou medo de punição? Ou quem sabe, nossa retidão é motivada pela esperança de um galardão ou até de benefícios divinos liberados ao longo de nossas vidas?

Uma história apócrifa sobre os discípulos de Jesus, nos ajuda a ilustrar a questão:

Um dia, disse Jesus aos discípulos: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim.” Ele não deu qualquer explicação. Então, os discípulos procuraram pedras para carregar consigo; Pedro, prático como era, procurou pela menor pedra que pudesse encontrar. Afinal, Jesus não havia dito nada sobre tamanho e peso! Assim, colocou uma pedra no bolso. Jesus então disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a uma caminhada.

Por volta do meio dia, Jesus pediu que todos se sentassem. Fez um meneio com as mãos e todas as pedras se transformaram em pão. Então, disse: “É hora de comer.” Em poucos segundos a comida de Pedro havia acabado.

Terminada a refeição, Jesus pediu que todos se levantassem. Tornou a dizer: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim”. Desta vez, Pedro pensou: “Aha! Agora entendo!” olhou em volta e viu um pequeno penedo. Suspendeu a pedra sobre os ombros, e era tão pesada que o deixou cambaleante. Mas pensava: “Mal posso esperar pelo jantar.” Então Jesus disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a outra caminhada, e Pedro mal conseguia acompanhar o grupo.

Por volta do horário do jantar, Jesus os conduziu para a margem de um rio. Disse: “Agora, quero que todos joguem as pedras na água.” E assim foi feito. Depois acrescentou: “sigam-me”, e começou a andar. Pedro e os outros olharam para ele, embasbacados. Jesus suspirou e disse: “Não se lembram do que eu pedi que fizessem? Por quem vocês carregaram as pedras?



No final da parábola do “filho pródigo”, o irmão mais velho acaba revelando o lado maligno de sua obediência. Ele não obedecia porque amava o Pai e desejava honrá-lo. De fato, ele não desfrutava e nem valorizava a presença do Pai em sua vida; tudo que lhe interessava eram os benefícios e as garantias desta presença.

Quantos de nós temos carregado pedras pesadas em nome da espiritualidade e da consagração a Deus? Mas a pergunta é : Para quem carregamos estas pedras? O que esperamos receber em troca? Será que a obediência a vontade de Deus, permanece para nós como um fardo pesado, o qual carregamos com grande sacrifício até o dia da recompensa?

A verdadeira santidade não espera recompensa. A verdadeira obediência não precisa de recompensa. Nós obedecemos porque amamos a Deus, e isto basta. A santidade genuína está em desfrutarmos da presença de nosso Pai e desejarmos permanecer nesta presença. Nossa alegria é ver a alegria de nosso Pai. Isto é a santidade.

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A história de “Pedro e a pedra” foi tirada do livro “O Deus pródigo” de Timothy Keller, publicado pela Thomas Nelson Brasil; que por sua vez cita Elisabeth Elliot em “These strange ashes”

Um comentário:

Simone Nascimento disse...

Que interessante essa história André, em se tratando de Pedro fica até engraçada, mas no fim somos impactados pela real mensagem que está embutida na história. Que Deus nos ajude a encontrar Nele a única razão para seguí-lo, amá-lo e honrá-lo independente das circunstâncias.
Obrigada por nos dar acesso a textos tão edificantes.
Deus o abençoe.
Simone